DERROTA - espetáculo virtual

DER-27.jpg

Derrota é um experimento cênico virtual a partir da obra de Dimitris Dimitriádis com direção de Camila Bauer e protagonizado pela atriz Liane Venturella. O espetáculo audiovisual marca a parceria entre o coletivo Projeto GOMPA e a Cia Incomodete, nos convidando a navegar pelas profundezas de um ser humano que retoma aspectos cruciais de sua existência, numa relação estreita entre vida e memória, derrota e vitória, compreensão e não aceitação daquilo que nos rodeia e que nos é mais caro: nossa relação com o mundo, nossos desejos e impotências frente a tudo. DERROTA propõe um diálogo mediado pela tecnologia já na própria gênese da criação, buscando uma proximidade entre atriz e espectador, onde a cumplicidade é dada pela palavra, pelo olhar direto e próximo. O espectador torna-se cúmplice da confissão que irá ouvir.

 

Segundo Dimitriádis, as personagens “falam como se lhes tivesse sido dada a palavra pela última vez (…), como se orador soubesse que a cada palavra que pronunciasse, terminaria gradualmente a sua oportunidade de falar”. Neste sentido, vemos através da tela alguém que busca cada palavra para tentar traduzir com exatidão o que sente e pensa, denunciando os limites da própria experiência verbal, ao mesmo tempo em que atesta a urgência da palavra. São tentativas de inscrição do eu no mundo, bem como registros do mundo na memória individual, em uma insistente busca da palavra que melhor traduza esta relação. Em DERROTA, a vontade de mudar o mundo não é suficiente para modificá-lo, assim como o desejo de expressão não basta para encontrar a palavra exata. 

FOTOS

Derrota
Derrota
DER-4
Derrota
Derrota
Derrota
DER-3
Derrota

 

Texto: Dimitris Dimitriadis

Direção e Tradução: Camila Bauer

Elenco: Liane Venturella

Direção Sonora: Álvaro RosaCosta

Iluminação: Ricardo Vivian

Vídeo: Júlio Estevan e Nando Rossa

Finalização: Nando Rossa

Orientação de figurino: Fabiane Severo

Fotos: Cláudio Etges

Assessoria de Imprensa: Leo Sant`Anna

Mídias sociais: Pedro Bertoldi

Produção: Primeira Fila Produções

Realização: Projeto Gompa e Cia Incomode-Te

FICHA TÉCNICA

TEASERS

Teaser - Derrota
Teaser - Derrota
Reproduzindo agora
00:07

Cápsula - Derrota

00:11
Reproduzir vídeo

IMPRENSA

Derrota
press to zoom
Derrota
press to zoom
Derrota
press to zoom
Derrota
press to zoom
Derrota
press to zoom
Derrota
press to zoom
Derrota
press to zoom
Derrota
press to zoom
1/1

CRÍTICAS

Antonio Hohlfeldt - Jornal do Comércio

Se o mundo contemporâneo se caracteriza pela fragmentação e a solidão, provocado pelo isolamento e a individuação, levando-nos à perda da memória e, por conseguinte, do sentido da História, parece ser desejo do dramaturgo grego uma reintegração com o Cosmos, que é também a comunidade humana. A simbologia da peça, propondo a aceitação dos diferentes (ou da diferença) é evidente. E atual. 

A aqui atriz Liane Venturella, sob a direção de Camila Bauer, concretiza uma encenação que, se no teatro ao vivo estivéssemos, exigiria um pequeno espaço que aproximasse o espectador/testemunha/interlocutor da personagem. A câmara, no entanto, faz esta aproximação. A personagem nos olha de frente. Mas não desafia, dialoga, como ela diz. O espetáculo não serve para digressão, porque é agudo como o corte do bisturi, exige a adesão do espectador. Neste sentido, a inexistência de maquiagem na intérprete é fundamental. O vídeo de Julio Estevan e Nando Rossa, com iluminação de Ricardo Vivian, mais o figurino de Fabiane Severo e a trilha sonora de Álvaro RosaCosta alcançam a dramaticidade necessária. Liane é, sim, uma personagem grega. Contemporânea.

Crítica completa aqui.

 

Tania Brandão - Folias Teatrais

Diante de seu primeiro monólogo, a opção foi a de desenvolver uma experiência de arte, criar algo novo, entre o teatro, o filme, o vídeo. Sob a direção de Camila Bauer, a atriz enfrenta o espectador sob um tom incandescente de valorização da vida, um pouco como se cada fala pudesse ser a última.

A cena é despojada, a tensão e a atenção estão concentradas na atriz e no texto, não existem efeitos especiais. A proximidade induz a um pensamento novo a respeito do humano, proposto em plano direto, sem filtros.

Crítica completa aqui.

Airton Tomazzoni - CENA.TXT

E para enfrentar esse texto que desafia o discurso e a enunciação e sua encenação digital, era preciso uma atriz e uma diretora que têm a coragem e a habilidade de ficar com tão pouco e fazer dessa escassez a escolha acertada, necessária e coerente. A interpretação falsamente despojada nos conduz em um tom coloquial enquanto a personagem fuma, bebe água, sentada à beira da cama. E desse jeito como num bate-papo encontra as nuances e sutilezas quase imperceptíveis que vão modulando a conversa de maneira que vamos ganhando uma assombrosa intimidade com o que é dito. Porque como o próprio texto anuncia : “Não era isso que minhas palavras queriam dizer”. Há uma cuidada carpintaria de cada palavra que ganha força na economia dos gestos e na articulação que encontra a emoção certa, na medida. O exercício de uma grande atriz que Liane Venturella e que partilha isso de uma forma tão generosa e inteira que comove e nos faz mergulhar nesse texto que faz reviravoltas no pensamento e no coração.

(…) Temos uma atriz que sabe de seu ofício e uma direção que permite isso. Não tenho receio de dizer que estive diante de uma grande momento teatral para o qual fui conectado através de uma câmera.

Crítica completa aqui.

Renato Mendonça - Coletiva.net

'Derrota', para mim, trata-se indiscutivelmente de teatro alojado na plataforma vídeo. E digo isso porque os pouco mais de 30 minutos do espetáculo encerram alguns dos princípios mais caros da arte cênica presencial, ao menos para mim: a autonomia do espectador, o tempo compartilhado, a força do corpo. 

A opção de evitar qualquer efeito de edição ou de imagem, de propor um plano-sequência (para usar um termo de outra área...) e de evitar saltos de tempo se mostra acertada.

(…) Nesse ponto, a ausência de trilha sonora também representa uma evidência de que a direção abre mão de qualquer recurso de "direcionamento" emocional externo, jogando à atriz e ao texto a responsabilidade de conduzir uma 'Derrota' vitoriosa.

Aí chegamos à atriz e ao texto. O que dizer? De Liane, que ela acumula mais que a capacidade técnica e o physique du rôle - ela tem a maturidade para dar esse texto. É quando vejo pelo menos uma vantagem de o teatro migrar para a plataforma digital - facilitar o reconhecimento em outros lugares dos nossos talentos.

(…) Atriz, texto e direção de 'Derrota' concorrem para que essas descobertas e provocações se alimentem. Usando uma expressão que aparece no espetáculo, há diferença entre estarmos sós e estarmos sozinhos. Com a arte, nunca estamos sozinhos. Por mais que o mundo da realidade nos derrote.

Crítica completa aqui.

José Cetra - Palco Paulistano

Em pouco mais de 30 minutos essa mulher dirige-se à câmera e, portanto, ao espectador, tentando explicar de forma quase didática como a vida a fez chegar nesse momento ao mesmo tempo tenso e de plenitude, onde seu único desejo é dormir profundamente até atingir o “coração do sono”. Ela está em seu quarto e fuma compulsivamente enquanto faz o seu relato. (…) em Derrota, a atriz está defronte a câmera e em um plano único faz o seu tocante relato do modo mais naturalista possível que se chega a crer que ela está conversando diretamente com o espectador. A aparente frieza do depoimento impede propositalmente qualquer reação emotiva do público.

Fotografado em colorido muito suave o espetáculo tem direção enxuta de Camila Bauer que focaliza toda sua atenção no brilhante trabalho da atriz.

Crítica completa aqui.

Diego Ferreira - Olhares da Cena

A palavra enquanto possibilidade de comunicação, extremamente elaborada e materializada através do corpo e voz de Liane Venturella, o que produz no espectador uma espécie de catarse, como se fossemos voyeur da intimidade daquela mulher. Penetramos em “Derrota” através do mundo das palavras, e através delas empreendemos a própria metamorfose da narrativa. (…)  E se esse cotidiano for o Brasil atual essas palavras criam outras dimensões que potencializam o discurso do texto, pois parte da materialidade do texto de Dimítris para aprofundar temas que hoje no Brasil são extremamente caros a todos nós como o caos político e sanitário. É o momento perfeito para dar uma pausa e refletir sobre nossas precariedades. Esse diálogo é necessário, é salutar, é urgente, até mesmo como uma válvula de escape, uma fuga frente ao caos.

“Derrota” é uma parceria do Coletivo Gompa e Cia Incomode-te e evidência o notável trabalho de Liane Venturella como grande atriz que é, tendo como possibilidade de criação a sua presença e toda sua capacidade de articulação através de pausas, silêncios e uma apropriação do texto que a primeira vista parece simples, mas a simplicidade nem sempre é algo fácil de acessar, e aqui sua atuação neste experimento é magistral. Assim como o trabalho de Camila Bauer que a cada trabalho se reinventa enquanto encenadora, seja na linguagem, poética ou estética, mas sempre inovando e trazendo o novo para os palcos, ou para a tela como é neste experimento. Uma produção intima, reveladora e instigante que provoca o nosso imaginário através da ótima utilização da palavra materializada no corpo e voz de uma grande atriz.

Crítica completa aqui:

Brasil de Fato

Os pensamentos de uma mulher, sozinha no quarto, interagindo apenas com o espectador do outro lado da tela do computador. Uma proposta aparentemente muito simples, mas que revela-se algo bem mais profundo. 

Nesse sentido, vemos através da tela alguém que busca cada palavra para tentar traduzir o que sente e pensa, denunciando os limites da própria experiência, ao mesmo tempo em que atesta a urgência da palavra.

Crítica completa aqui.

Roberto Oliveira - Comenta UMBU

Elogiar a performance da Liane Venturella em Derrota seria repetitivo e quase desnecessário. Em diversas ocasiões ela já demonstrou a excelência e qualidade das suas interpretações, que são sempre surpreendentes, originais e verdadeiras pérolas da atuação.

Em “Derrota” ela encara dois enormes desafios.

Enfrentar um texto de extrema dificuldade pelas suas infinitas repetições e seu tom filosófico.

Encarar a proposta intimista e minimalista escolhida pela encenadora Camila Bauer, que acertadamente, na minha opinião, retira a possibilidade de ações exteriores e quaisquer firulas de direção, preferindo jogar a atriz aos leões (no melhor sentido).

Liane supera todos os desafios e coloca seu trabalho de atriz no centro do espetáculo.

As duas confiam no texto de Dimitris Dimitriadis.

Camila Bauer confia na atriz.

Isso faz com que uma função potencialize as outras duas.

Crítica completa aqui.